14 de ago de 2011

Alunos viciados em tradução

histor74_1Mais do que traduzir, o importante ao aprender um idioma é entender quando usar palavras e frases com o claro objetivo da comunicação. Para saber como e quando usar o que aprendemos precisamos entender a cultura do povo que fala esse idioma e praticar bastante para tornar suas estruturas básicas automáticas.

Os alunos que traduzem mentalmente cada palavra ou que sentem necessidade de “saber como se escreve” ficam travados e têm dificuldades extremas para adquirir a fluência desejável.

Entre as crianças menores a ocorrência desse problema é pouco comum, mas à medida em que a faixa etária dos alunos iniciantes se eleva o problema torna-se mais frequente.

Como driblar esse problema?

Fazer preleções a respeito do assunto, mostrar gráficos e resultados de pesquisas podem “convencer” mas de uns anos para cá adotei uma prática que dá bons resultados. No primeiro dia de aula conto a história do Ali Babá e os 40 ladrões.

Abaixo seguem os passos que costumo seguir, caso você também queira adotar essa dica.

Introdução

Pergunto aos alunos se conhecem a história do Ali Babá. Alguns talvez a conheçam, então permito que contem o que sabem. A seguir, conto um resumo, que é mais ou menos como está a seguir, mas você pode preparar sua versão.

Ali Babá e os 40 ladrões

Ali Babá estava na floresta quando ouviu um barulho de camelos se aproximando e escondeu-se com seu camelo atrás de uma grande pedra.

Alguns minutos depois chegaram em seus camelos 40 ladrões, que eram parte de uma quadrilha perigosa que assaltava os viajantes do lugar.

Um deles - que vinha à frente e parecia ser o chefe - desceu de seu camelo e parando à frente de uma grande pedra gritou:

- Abre-te Sésamo!

Imediatamente a enorme pedra se afastou e Ali Babá viu uma grande caverna, cheia de ouro e pedras preciosas, fruto dos roubos do bando. Os 40 ladrões entraram na caverna e a pedra voltou ao seu lugar.

Ali Babá esperou em seu esconderijo até que ouviu, do lado de dentro da caverna a voz do chefe dos bandidos:

- Abre-te Sésamo!

A pedra afastou-se novamente e os bandidos foram embora.

Ali Babá esperou alguns momentos até que se afastassem, postou-se à frente da enorme pedra e gritou:

- Abre-te Sésamo!

A pedra se afastou e ele entrou na caverna com seu camelo, encheu seus alforjes de ouro e pedras preciosas. Quando se deu por satisfeito disse novamente as palavras mágicas, a pedra afastou-se da entrada e ele foi para sua casa, levando uma grande fortuna.

Conclusão

Após contar a história, pergunto aos alunos:

- Será que Ali Babá saiu correndo atrás do chefe do bando e perguntou: “por favor, como se escreve ‘sésamo’”?

- Ele se preocupou em saber se “sésamo” era um adjetivo, verbo ou substantivo?

- Será que ele tentou descobrir a tradução da palavra?

- Ou será que para ele só importava saber que repetindo as palavras que ouviu conseguiria o que queria: abrir a porta da caverna?

- Será que ele tratou de memorizar a palavra, o tom de voz em que foi dita, a entonação do chefe do bando, para poder usá-la quando precisasse?

Depois de respondem essas perguntas explico que da mesma forma quando aprendemos um idioma, em princípio aprendemos “palavras mágicas” como abracadabra, sésamo e tantas outras. Essas palavras, mesmo que não façam sentido a princípio, devem ser memorizadas e devemos entender quando usá-las e com que objetivos (pedir informações? cumprimentar alguém? pedir desculpas? pedir licença?) e que depois de nos acostumarmos a usá-las é que podemos nos dedicar a encontrar o correspondente em nossa língua, as explicações à luz da gramática, etc.

Geralmente os alunos (principalmente os adultos) entendem e a partir daí, quando começam a “traduzir mentalmente” eu digo: “abre-te sésamo!” e eles começam a se libertam de conceitos que só irão afastá-los de seu objetivo de tornarem-se fluentes no idioma.

rodapé blog (cinza)

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