9 de fev de 2012

Primeira aula, primeira impressão

cumprimento_2Dizem que a primeira impressão é a que fica. Eu não concordo totalmente, mas gostaria de fazer algumas considerações a respeito. Acredito que nem sempre essa primeira impressão irá permanecer porque já tive alunos que me confessaram depois de alguns meses que no primeiro dia de aula me acharam brava, rigorosa, chata, e outros tantos adjetivos que reconsideraram depois.

Sabemos que não é possível agradar a todos e nem é esse o nosso objetivo, mas devemos separar as coisas: nem sempre o professor “legal” tem a aula mais interessante, como também é verdade que um professor “chato” pode ter uma aula “legal”.

É importante tentar captar a simpatia e o interesse dos alunos desde a primeira aula, mas alguns colegas confundem a pessoa com a matéria que irão ensinar. Explicando: tudo bem que é sempre bom sorrir, ser simpático, e essas coisas. Mas o que precisa “cativar” os alunos é sua aula e não necessariamente a sua “pessoa”.

Alguns colegas caem no erro de tentarem “se enturmar” com os alunos – principalmente os adolescentes – e nessa tentativa acabam se perdendo, criando um “coleguismo” que não é nem um pouco saudável e é também um tanto artificial.

Por mais que eu goste de meus alunos e me preocupe com o bem-estar e o aproveitamento deles, fazer parte da turma está completamente fora de questão. Naturalmente vou me esforçar para manter um relacionamento agradável com eles, vou tentar sempre conquistar a confiança da classe e manter o clima agradável e propício para o aprendizado, mas meu compromisso com eles para por aí. Não tenho a menor intenção de sair para a balada com eles, nem de freqüentar a casa deles ou eles a minha. Não quero vencer nenhum concurso de popularidade nem ser considerada para batizar seus filhos no futuro. Minha missão é ensinar, e para isso tenho que conquistar a confiança deles, não a simpatia ou amizade, que virão naturalmente – ou não.

Sendo autêntica em minha chatice, severidade ou quaisquer outras características pessoais e profissionais que eu possa ter, mas sempre consistente em minhas atitudes, com certeza eles compreenderão e aceitarão minha postura, porque ninguém tem a obrigação de “ser” o ser humano mais adorável do mundo. Não podemos confundir o professor “chato” com o professor que dá uma “aula chata”.

Para entender a diferença devemos entender o que se esconde por trás da palavra “chato” – usada de diversas formas pelos adolescentes para definir um professor – já que a palavra “chata” quando aplicada a uma aula a gente entende perfeitamente o que significa.

Você não precisa ser o bobo da corte, nem distribuir sorrisinhos simpáticos e artificiais. Se você está verdadeiramente envolvido com o que faz e tenta fazê-lo da melhor forma possível, eles certamente irão perceber isso e aceitá-lo como você é, sem a necessidade de assumir posturas que não são suas para cativá-los.

Zailda Coirano

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2 comentários:

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